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Cássio Diniz


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Primeiramente, pra quem não é corredor, vou explicar: Uma maratona tem 42,195 km (leia mais aqui). Portanto a São Silvestre não é maratona, como muitos confundem. A São Silvestre tem “apenas” 15km.

Antes de contar sobre a minha primeira maratona, quero fazer um breve resumo da minha trajetória de corredor. Quando completei 29 anos, em setembro de 2008, estava com 81 kg. Bem acima do peso ideal, considerando que tenho 1,70m. Fui incentivado por um amigo a correr e não parei mais. Durante 6 meses corri por conta própria, mas os resultados só vieram mesmo quando conheci a Assessoria Esportiva Endorfina. Nesse período até aqui, já havia participado de 15 provas. Incluindo a Mizuno 10 Milhas (16 km), Volta Internacional da Pampulha (18 km), São Silvestre (15 km) e Meia Maratona da Linha Verde (21 km). Agora era o momento de buscar um desafio maior: correr a minha primeira maratona! Porto Alegre foi a cidade escolhida, por ser a prova mais indicada para quem está iniciando. O tempo frio, a cidade arborizada e as ruas planas favorecem quem está começando nessa modalidade. Durante 5 meses nos preparamos para essa prova. A cada final de semana faziamos treinos longos, a partir de 18 km, até os árduos 36 km, completando duas voltas na Lagoa da Pampulha. Fui para Porto Alegre com a equipe que treina comigo, um grupo de 18 corredores endorfinados, que o tempo todo me mostraram o que é uma equipe, um grupo de amigos que ficarão para a vida toda.

Bom, vamos ao que interessa…

Consegui terminar bem a Maratona de Porto Alegre. Fiz em 4h18, um bom tempo por ser minha primeira maratona. O esforço é enorme, afinal, corremos durante todo esse tempo sem parar nem pra beber água. É só pegar o copinho, furar, beber e jogar o copo fora… sem parar de correr um minuto.

Mas correr a maratona não é se dedicar durante essas 4h18. É muito mais que isso… Quem me acompanha pelo Twitter e também meus amigos sabem um pouco do que isso representou pra mim. Muitos viam quando eu deixava de sair na sexta feira, porque precisava acordar cedo para treinar as 6h30 da manhã na Pampulha. Todos estavam dormindo, quando eu estava na pista do meu bairro, correndo as 5h15 da madrugada, para me adaptar ao frio de Porto Alegre no horário da largada, às 7h15.

Durante a prova, fiz novos amigos, incentivamos pessoas que pensaram em desistir, que estavam caminhando. Falamos com essas pessoas que todos ali estavam cansados também, e que não devíamos desistir, pois ralamos muito pra chegar ali. Muitas pessoas foram incentivadas a continuar correndo depois que foram estimuladas por nossa “equipe” que acabava de ser formada.

Eu poderia terminar essa corrida num tempo menor, caso eu não tivesse esperado os amigos que corriam comigo. Ou poderia não ter terminado a prova, caso eu não tivesse esperado os amigos que corriam comigo. Depende muito do ponto de vista. Mas percebo que a decisão foi acertada, porque apesar de participar de um esporte individual, a corrida é sim um esporte coletivo.

No final dos 42,195 km, completei a prova muito emocionado, chorando muito! Foram lágrimas de felicidade, de conquista, de superação. A lição que levo disso tudo é que a glória nunca vem sem o esforço, sem a dedicação, sem o suor.

Hoje, aos 31 anos, estou com 8 kilos a menos, e muuuuuitos quilômetros a mais. Sou um homem muito mais forte, mais feliz e mais realizado!

Para finalizar, vou usar uma frase que sempre me serviu de incentivo nos treinos, e coincidentemente foi a primeira música a tocar no iPod (mesmo em modo shuffle) na hora da largada:

Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior!” (O Teatro Mágico)

Cássio Diniz
@cassiodiniz


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